Na injeção eletrônica tudo mudou, inclusive os tipos de retentores, que antes eram simples, usavam molas para ajudar na vedação do óleo que era a sua função.

Hoje, além de vedar o óleo, função que não mudou, porem sem a antiga mola.

Na sua carcaça em motores como os da Volkswagen existem ainda alojamentos para acoplar uma roda fônica e na lateral um sensor, criando assim, um conjunto de retentor traseiro do eixo virabrequim.

E este conjunto de retentor é mais uma peça inovadora deste sistema, aplicada nos motores da Volkswagen EA111, conjunto, porque além de vedar o óleo do motor na parte traseira do virabrequim, ainda é responsável pelo sincronismo do eixo virabrequim e ainda informar através de uma roda fônica incorporada e, um sensor de rotação o sinal da rotação do motor para o módulo de injeção.

Nos antigos motores álcool e gasolina usavam se distribuidores, as famosas caixinhas de ignição, bobinas a óleo, platinados e condensadores, sensores Hall, etc. Ainda hoje é possível encontrar no mercado estes modelos que estão se tornando relíquias. O mecânico chega até em certos momentos surpreender quando chega em sua oficina estes tipos, parecendo não mais conhecer o seu funcionamento.

Não fugindo o foco do assunto, iremos hoje apresentar um sistema novo, não tão novo assim, mas que apresentam muitas dúvidas quando na instalação e sincronismo do ponto do virabrequim nos motores da linha Volkswagen da família EA111, os motores aplicados no gol 8 e 16V, Saveiro 1.6, Voyage 1.0/1.6, Kombi 1.4, Fox 1.0, Golf 1.6 todos Power ou Flex Power de todas as gerações e potencias.

Nestes motores devido as construções do sistemas de injeção e ignição, foram precisos substituírem antigos sistemas para acoplarem os modernos, com isso atender o melhor para o motor do veículo nas questões de seguranças, leituras, economias, espaços, enfim, melhores aproveitamentos.

No caso destes motores em questões a Volkswagen construiu um tipo de retentor aplicado no flange traseiro do virabrequim com três funções:

  • Vedação do óleo;
  • Ponto do virabrequim em relação ao eixo comando de válvulas e;
  • Leitura da rotação do motor através da roda fônica.

Denominando assim um conjunto retentor: vedação, sincronismo e leitura da rotação do motor.

Construção do retentor

O retentor e do tipo lábios sem molas, a carcaça é construida de plástico (a maioria) e de alumínio, o retentor já vem preparado para ser aplicado. No seu interior para facilitar a aplicação vem um dispositivo plástico com diâmetro interno e externo igualmente da flange do virabrequim, para facilitar a aplicação e evitar danos ao retentor; o mesmo dispensa cola ou junta de vedação. Do lado da carcaça foi criado um alojamento (redondo ou quadrado) para fixar o sensor de rotação.

Obs.: Não retire o dispositivo plástico do alojamento do retentor e nunca coloque o retentor sem ele. No conjunto de retentor não acompanha o sensor de rotação!

Sensor de rotação

O sensor além de indicar perfeito sincronismo do virabrequim com o eixo comando de válvulas, ainda faz a leitura da rotação do motor indicando ao modulo que o motor entrou em funcionamento e junto com o sensor de fase que encontra fixo na parte traseira da tampa de válvulas faz a leitura através do comando de válvulas do 1º cilindro ou o que está em compressão, concluindo perfeito sincronismo do motor, melhor desempenho, economia, etc.


Apesar do retentor ter três funções direta de trabalho, uma é diferente da outra e não interfere no funcionamento do motor se for corretamente aplicado.

Aplicação

A aplicação deste retentor no motor é extremamente fácil, não necessita junta, cola ou coisa parecida, porem a roda fônica necessita de ferramenta especial para aplicação, por ser colocada por interferência. Esta interferência é necessária para evitar que a mesma quando girar o virabrequim fique parada ou desloque de sua posição e com isso, evitar avarias e erros de comunicação com o modulo. Se isto acontecer ou for aplicado errado o motor não vai entrar em funcionamento e se entrar vai ficar péssimo o funcionamento.

Retentor

Este retentor além do original, existem vários outros modelos devidos os vários fabricantes deste retentor, cada fabricante construiu este retentor de uma maneira diferente do original. Na hora da aplicação gera dúvidas e estas duvidas na teima, acabam gerando problemas no funcionamento do motor.


Por isso, na hora da aplicação toda atenção é pouca. Leia as instruções do fabricante, analise antes da instalação, compare com o modelo do antigo retentor. Se estes pequenos detalhes forem observados evitará um imensa dor de cabeça, porque uma vez aplicado ou estará correto ou incorreto e se estiver incorreto além de ter que retirar do veículo novamente o motor ou o câmbio, kit embreagem, volante, enfim refazer tudo novamente, terá que substituir novamente o retentor por um novo.

Precauções

A falta de atenção na hora da aplicação falta de ferramentas especiais para estes fins pode gerar sim retrabalhos. Por isso recomendo sempre ler o que diz o fabricante antes de aplicação de qualquer peça em um motor. O fabricante discrimina na embalagem para quais modelos foram destinado suas peças no caso o retentor, outros embalam o próprio já na marca de aplicação correta para o tipo de motor, outros fabricantes ainda advertem o usuário final para não abrir a embalagem antes de certificar-se que esta correto para tal aplicação.

Então quais as maneiras corretas de aplicar este retentor? Isto vamos ver agora passo a passo.

Aplicação correta do retentor

Lembrando que todo motor na hora de sincronizar, colocar no ponto existem referencias como marcas, números, vincos de fundição, setas, riscos, pontos, etc. Por isso, não basta colocar o retentor, usar a ferramenta especial para colocar a roda fônica se a posição do virabrequim não coincidir com as marcas destinadas para o tipo de motor.


No caso dos motores EA111, estas marcas encontram-se na bomba de óleo que já deve estar instalada no motor como também a engrenagem dentada antes mesmo da colocação da roda fônica no virabrequim.

Referencias para colocar a roda fônica

Na bomba de óleo existe duas referências marcadas por dois números (2 e 4) e na engrenagem estriada da correia dentada que vai na ponta do virabrequim, existe outra referência que é um dente com um pequeno chanfro. Este dente deve coincidir com o vinco de fundição marcas referentes na bomba de óleo.


Uma destas marcas é para motor de 8 válvulas, que vai estar marcada com o número 2, isto quer dizer que o número 2 é para motores com 2 válvulas por cilindros ou 8 válvulas no total e a outro marca vai estar marcado com número 4, que é para motor com 4 válvulas por cilindros ou 16 válvulas no total.

Vamos ao passo a passo:

Passo a passo para a montagem do retentor

Primeiro passo – após a retifica do motor, devemos lavar o bloco, virabrequim e todos os seus componentes. Este é um passo fundamental!

Segundo passo – deve-se neste passo colocar os jet coolers (injetores de óleo) e depois as bronzinas de mancal e o eixo virabrequim, os mancais e apertar com 65 Nm.

obs.: Muitos usam bronzinas de mancal do motor AP nos motores AT ou Power, apesar de terem diferenças entre si, as medidas são as mesmas tanto quanto as folgas radiais. A única diferença que tem entre as bronzinas de mancal original AP e as dos motores EA111 é que as do motor AP vem na embalagem um par com canal de lubrificação a mais, isto no meu ver não atrapalha em nada e muito menos vai dar problemas de lubrificação ou coisa parecida. Outra dúvida que gera no caso do uso da bronzina de mancal do AP nos EA111, por ter um par de bronzina com canal é onde colocar elas, em qual mancal? Amigos coloquem no quinto mancal. Se verificar bem notará que no quinto mancal do bloco EA111 não tem canal como os demais, isto porque ali não vai o jet cooler. Lembrando também que motores AT 1.0 de 8 e 16 válvulas e o motor 1.4 aplicado na Kombi, não usam jet cooler, neste caso use a bronzina de mancal do AP da mesma forma.

Terceiro passo – agora colocaremos o retentor traseiro sem a roda fônica e a bomba de óleo (para ambos não necessitam cola ou juntas), aperte os mesmos com os parafusos corretos.

Muito importante – existem dois tipos de retentores além do que já foi mencionado, um é para sensor de rotação de formato redondo e outro de formato quadrado, fiquem atentos a estes itens!

Obs.: Use sempre peças originais ou de procedências, por que existem por exemplo no mercado marcas de bomba de óleo que não indica as posições mencionadas acima (os números) onde deve ficar a referência da engrenagem dentada, porem os vincos de fundição permanece. Para iniciantes e até mesmo para o profissionais a falta destas referencias poderá ser ruim, gera dúvidas e complicações.

Quarto passo – após ter colocado o retentor e a bomba de óleo, coloque agora as bielas e os pistões com os anéis corretamente e devidamente travados, com a seta de indicação gravada na cabeça do pistão para frente, lado da polia. Aperte os parafusos das bielas (costumo apertar com 90 graus após encostar os parafusos) na tabela pede 20 Nm se preferir.

Obs.: As bielas por serem craqueadas, a única observação que recomendo é não inverter os encaixe onde foram quebradas, se inverter vai ficar com muita folga e o motor vai ficar batendo e até fundir por falta de lubrificação. Outra observação: Nunca retifique estas bielas caso fundir, substitua as mesmas e nunca deixe de trocar as buchas onde vão os pinos dos pistões, principalmente os de 4ª gerações em diante. Qualquer folga o motor ficará com ruídos internos.

Quinto passo – coloque agora o pescador do óleo, não esqueça da junta do pescador, não use cola. Coloque o cárter usando para vedação cola silicone da marca Tree Bond (recomendo) sem excesso ou a use a que preferir, fixe o mesmo.

Sexto passo – vire o motor na posição de montagem do cabeçote, se preferir pode montar o cabeçote e apertar os parafusos (substitua os parafusos por novos) torque de 30 Nm + 90° + 90° graus, use junta de metal, não passe cola. Para uso de junta de metal sempre plainar o cabeçote no caso de retifica.

Sétimo passo – se não colocou o cabeçote após ter virado o motor, não tem problemas. Colocaremos depois na banca ou no motor instalado no veículo. A maioria dos mecânicos preferem trabalhar assim: Instalar o motor no veículo e depois colocar o cabeçote fica muito mais fácil ligar os componentes do veículo, fios, mangueiras, acessórios, etc. (Isto é opcional).

Oitavo passo – com a ferramenta especial em mãos, chegou o momento de colocarmos a roda fônica. Para isso, colocaremos o primeiro pistão em PMS (ponto morto superior), para melhor precisão poderá usar um relógio comparador com uma base. Achando e definindo o PMS, conferimos agora na bomba de óleo onde se encontra o dente chanfrado da engrenagem dentada, lembre se, para motores de 8 válvulas deve estar alinhado com o número 2 e, motores 16 válvulas com o número 4, ambos gravados visivelmente na carcaça da bomba de óleo.

Obs.: a marca do chanfro do dente da engrenagem deve estar alinhado corretamente com o vinco direcional (fundido junto a bomba de óleo), os números são apenas referências! Lembram que disse anteriormente, que algumas marcas de bombas de óleo não vem os números? Mas, vem fundidos os vincos!

Nono passo – feito estes procedimentos colocaremos agora a roda fônica utilizando da ferramenta especial. Note que terá que lembrar qual é a marca de fabricação do retentor, porque na ferramenta tem duas posições para acoplar a roda fônica. Uma posição é para uso do retentor original e a outra marca para retentores sabó, corteco e de outras marcas, lembrando que em alguns retentores de outras marcas, como o da Spall a posição da roda fônica vem travada com um dispositivo plástico. O mesmo deve ser colocado com a mesma ferramenta e o dispositivo de trava mostrando a posição do furo da roda fônica deve ser retirado e a roda fônica deve ser colocada na mesma posição. Como disse leia antes o que o fabricante indica antes de violar as embalagens, travas, etc.

Obs.: os motores da família EA111 de 8 válvulas seja ele 1.0, 1.4 e 1.6 o ponto da roda fônica a maioria é sempre para cima, note que na carcaça do retentor tem estas referências e é nesta referência que o furo da roda fônica vai ficar alinhado, tanto que na ferramenta também tem estas identificações. Para motores de 16 válvulas o ponto fica para baixo ligeiramente subindo para a lateral direita, da mesma forma indicado como o anterior, também nos motores conhecidos como AP MI de 8 válvulas a roda fônica fica na mesma posição que o do motor EA111 1.0 de 16 válvulas.

Décimo passo – a ferramenta deve ser sempre usada para colocar a roda fônica por dois motivos:

  • Colocar a mesma no ponto correto;
  • Evitar danos a peça.

Esta ferramenta pode ser adquirida na Volkswagen ou em casa de ferramentas automobilísticas como por exemplo a Raven.

Coloque a guarnição, o volante e o kit embreagem e continue com a montagem do motor.

Décimo primeiro passo - Dica especial

Na roda fônica se observar tem uma falha e, isto não é de propósito e sim necessário, aliás quaisquer rodas fônicas vão ter esta falha, sem exceção!

Esta falha indica o primeiro cilindro do motor em PMS, ou seja, quando esta falha passar pelo sensor de fase, existira a primeira explosão, queima do combustível através da vela de ignição.

No caso da aplicação da roda fônica em questão e, tendo esta falha como referência, antes do alojamento do sensor de rotação, bem ao centro do mesmo contaremos 14 dentes da roda fônica anti-horário até a falha ou horário da falha até o centro do sensor (estes passos pode ser com a roda fônica aplicada ou antes da aplicação, porem o virabrequim deve estar corretamente no ponto, através da engrenagem dentada).

Se assim estiver, com 14 dentes, o sincronismo estará correto e não vai haver maiores problemas no funcionamento.

Para não contra dizer o que disse no decorrer do artigo, esta é uma estratégia para aqueles que insistem em não usar a ferramenta por algum motivo, mas lembre-se que não é recomendado colocar a roda fônica sem a ferramenta, pois vai com certeza danificar a peça, causar danos ao funcionamento e no motor!

Recomendações

Já presenciei muitos mecânicos colocando este retentor de maneira errada, com aplicação nada haver para o tipo de veículo e ainda pior, sem ferramentas.

Algumas dicas e recomendações:

  • Nunca coloque a roda fônica batendo com marreta, luva de ferro, pino ou qualquer outro improvisos;
  • As peças destes tipos de motores pode ser compradas também através das letras e numero gravado no bloco do motor;

  • Não coloque cola ou junta no flange do retentor, o mesmo já vem com vedação própria;
  • Jamais dispense ou retire antes da aplicação a luva que vem inserida no retentor. Esta luva vem colocada dentro do retentor justamente para não estragar, dobrar os lábios do mesmo, pois este retentor não tem mola e a mesma é justamente para aplicar o retentor no flange do virabrequim sem estragar o mesmo. Uma vez danificado não mais vedará! (Na embalagem geralmente o fabricante edita alertas e aplicações);
  • Na retifica, troca do virabrequim ou qualquer outro serviço precisando remover este retentor, jamais reutilize o mesmo retentor. Substitua por um novo de mesma aplicação;
  • Antes da aplicação leia o que diz o fabricante da peça
  • Nunca retifique o flange traseiro do virabrequim deste modelo de motores, pois a roda fônica é colocada neste flange por interferências.

 

Considerações finais

Bem estas são as dicas que tenho para passar sobre o assunto, apesar da aplicação de um retentor ser muito simples alguém pode assim pensar, achei legal mostrar que este não é tão simples como parece.

Tenho presenciado muitos erros na aplicação desta peça, motor não pega, motor falha, erros na injeção, etc. Muita reclamação da peça por falta de conhecimentos tanto na aplicação como para qual modelo vem ser o retentor.

Na verdade o retentor é apenas um retentor, o que muitas das vezes atrapalha é a tal da roda fônica que veio para muitos, apenas complicar. Mas, é a tecnologia que exigem estas mudanças, no meu ver muito boa e funcional.