Ford Ranger com motor Power Stroke 3.0 não pega na partida

Na oficina mecânica aparece todos os dias problemas difíceis de serem resolvidos, mas existem problemas como os mencionados nos posts anteriores que desafiou a nossa inteligência e conhecimentos, mas que não desistimos diante destes ou de outros, porque somos mecânicos e de um jeito ou de outro temos que resolver. Ou então, para que exercer a profissão!

Ranger

Um novo desafio chega guinchado a nossa oficina

Recentemente chegou no guincho vindo de outra cidade, uma caminhonete Ford Ranger motor Power Stroke 3.0. A mesma não pegava na partida parcialmente e, quando pegava funcionava perfeitamente até que não afogasse de novo.

De início desconfiamos dos bicos injetores, porque a mesma batia, castanhava muito alto na partida, como se estivesse fora do ponto. Para não ficarmos desconfiado e na dúvida, resolvemos então retirar os bicos injetores e levar para testar no bombista. Um dia depois recebemos os bicos de volta e o bombista alegou todos em perfeito estado de funcionamento segundo os seus testes eletrônicos.

Colocamos os mesmos no motor, demos partida e pegou na primeira. Ufa! Esta foi fácil de resolver, colocamos na rodovia e tudo fluía perfeitamente, voltamos para a oficina afogamos e encaminhamos os serviços para que fossem fechados e entregar o veiculo para o seu dono.

Mas antes de entregar qualquer veiculo, efetuamos tratamento vip como em todos os demais, lavando, limpando, polindo lugares manchados, etc.

Tudo pronto para entregar o veiculo para o proprietário, mas ao darmos partida a mesma não pegou. Começamos tudo novamente a fazer os testes na tentativa de descobrir tal repentino problema e isto, durou quatro dias de tentativas.

Bateria arriou, motor de partida (arranque) queimou, sem contar que todos os chicotes, painéis estavam desmontados. Vários testes foram feitos, tanto elétrico, eletrônico, como mecânico e nada o motor insistia em não pegar, de vez o outra pegava, mas era só afogar e o problema persistia.

A procura de suporte técnico

Apesar de todas estas panes não acendia a luz de anomalia e não apresentava erros no aparelho de diagnósticos e o sistema de alarme funcionava corretamente.

Depois de um dia inteiro de tentativas, resolvemos então analisar com calma todo o sistema e chegamos a conclusão que precisamos de apoio técnico.

No outro dia entramos em contato com suportes técnicos explicando os acontecidos e todas as ocorrências executadas. Fomos informados que o problema poderia ser na bomba de alta, de início ouve controvérsias, mas diante dos problemas resolvemos não discutir. Retiramos a bomba, levamos até o bombista de nossa cidade fizeram os testes e foram comprovados desgastes muito grande tanto na bomba de alta pressão como também na bomba alimentadora, ambas são conjugadas gerando grandes problemas o sistema de alimentação.

Bomba injetora de alta nova

Pedimos então uma bomba injetora nova e colocamos no motor. Ligamos a chave de ignição e adivinha o que aconteceu? O motor não funcionou! Pode uma coisa dessa? Pois é, não funcionou.

Voltamos a estaca zero e os conhecimentos tinham chegado ao fim, diante desta Ford Ranger!

Parados diante desta caminhonete não havia mais o que fazer e já era tarde e o desanimo e cansaço predominava.

No outro dia começamos novamente uma nova analise e resolvemos entrar em contato com um de nossos instrutores de injeção eletrônica: explicamos todas as ocorrências e ele nos passou várias tarefas das quais a maioria já havíamos executado sem sucesso, porém, um teste não tínhamos feito ainda, porque não era de nossos conhecimentos. Que era Testar os bicos no próprio motor, ligado ao sistema eletrônico.

Os testes dos bicos e a solução dos problemas

Apesar de não aceitar de início esta ideia, porque havíamos testados os bicos e nada de errado havia com eles, segundo o bombista. Mas como não tínhamos alternativas fizemos os testes para a nossa surpresa. A caminhonete pegou sem nenhum esforço!

O instrutor nos explicou que os bicos injetores da ranger é do tipo piezoeléctrico e recebem sinais da central de dois em dois na sequencia de contagem do motor 1.3.4.2. Então prosseguimos com os testes:

  • Desligamos os conectores dos bicos dos cilindros n° 1 e 3, o motor pegou rapidamente;
  • Ligamos novamente e desligamos os conectores dos bicos dos cilindros n° 2 e  4, o motor não pegou;
  • Ligamos novamente os conectores do bico 2 e 4 e desligamos novamente os conectores dos bicos 1 e  3. O motor novamente pegou. Que coisa não?

Depois o instrutor nos pediu para desligar somente um destes dois conectores, por onde o motor no teste entrou em funcionamento (bico 1 e 3), para saber qual dos dois bicos estaria com problemas ou se era os dois. Depois nos alertou de que: na maioria dos casos, somente um dá problema. Dito e feito! O problema era no bico injetor do terceiro cilindro.

Conclusão

Isto prova que ainda nos restava um recurso e que sempre terá uma solução. Se tivéssemos conhecimento deste teste, teríamos consertado a caminhonete no primeiro dia, lembrando que o nosso primeiro diagnóstico foram exatamente começado pelos bicos injetores. O grande erro foi confiar no diagnostico do bombista ou de seu equipamento de testes. A bomba realmente estava ruim, e não trocamos desnecessariamente, pois levamos em outro bombista para teste.

Informamos a respeito dos desgastes da bomba com nosso instrutor o porque dos desgastes acentuados dos componentes da bomba de alta. Ele nos disse que isto já vinha ocorrendo e que ao receber muitas partidas a seco (sem óleo diesel) piorou ainda mais. Como havia bico injetor isolado e o pico de corrente e amperagem é muito alto, isolava também o solenoide de liberação de combustível da bomba, ou seja, o óleo diesel não chegava até a bomba alimentadora da bomba de alta e como também não havia óleo diesel no tubo rail, o sistema continuava em emergência por falta de pressão na linha de alta e com isto isolando completamente todo o sistema eletrônico.

Porque não acendia a luz de anomalia no painel e não gerava erro no aparelho de diagnostico?

O nosso instrutor não soube nos explicar! Dizia que talvez, por ser problemas mecânicos. Mas nesta altura dos acontecimentos saber o porque deste item era o menor das preocupações.

Estes foram em destaques os piores problemas que já pegamos para resolver. Já resolvemos outros com facilidades, porém, todos foram com conhecimentos próprios ou através de conhecimentos de outros técnicos como: amigos da área, instrutores e professores que disponibilizaram de tempo e de seus conhecimentos para nos ajudar.

Por isso que sempre deixo estas mensagens:

"Na mecânica automobilística é impossível ter todos os conhecimentos, pois a cada dia nos é apresentado um novo defeito".

"Ter conhecimentos e dedicação todos os dias, é que se torna profissional em qualquer área, aprendendo todos os dias a ser melhor que ontem".

Mais sobre: , , , , , , , , , , , , ,