Luz de anomalia ascende e corta o funcionamento

luz anomalia injNa primeira parte desta série de problemas e soluções, serão apresentados soluções que pegamos no dia a dia aqui em nossa oficina.

O primeiro foi um defeito de difícil solução, em uma S10 eletrônica motor Sprint 2.8.

Difícil por causa das surpresas que foram acontecendo.

veja o artigo: Como resolver defeitos de injeção da S10

Como mencionei em artigos anteriores, os defeitos nos veículos diesel sistema eletrônico, começam aparecer nas oficinas mecânicas de todo o Brasil, mas ainda nem todas estão preparadas para um diagnóstico correto, não por falta de conhecimento e sim por falta de informações.

Leia e conheça: O sistema de injeção common rail

Os defeitos, mesmo que corriqueiros são surpreendentes por que são novos. São veículos que já circulam a quase 10 anos e é exatamente agora que começam as panes, pois os componentes estão cansados, gastos, deteriorados com o tempo.

Os autopeças, oficinas mecânicas, auto elétricas e outros seguimentos ainda não estão preparadas para atender as necessidades dos mecânicos, eletricistas dos retificadores e de toda área de reparação. As empresas que projetam, desenvolve, criam os sistemas, estão limitadas a repassar maiores informações, e nem sempre podem liberar para o mercado os componentes (peças de reposição), por conta da originalidade das montadoras, pois o sistema fica em testes por vários e vários anos. Muitos estudos são feitos quando mencionado voluntariamente ou por reclamação de garantia de determinado item. O tempo passa e o mercado de reposição como as empresas do seguimento ficam sem poder atender o consumidor. Um exemplo é o lançamento de um motor, até que não fique comprovado o seu funcionamento perfeitamente, as peças de reposição para atender o mercado fica restrita e  somente a montadora da mesma é apta a oferecer e em prazos de espera.

Existem veículos desta linha que dão panes em peças importantes e que custam muito caro e precisam ser trocadas, mas nem sempre é encontrada no País. Agora imagina como ter certeza da troca de uma destas peças se nem temos uma para testar e estar certo que não estamos causando um gasto desnecessário para o proprietário, pois na maioria dos casos os defeitos são inéditos e é preciso muita cautela e conhecimento para chegar a uma conclusão e trocar caso encontre tal peça.

Este paragrafo acima é muito importante, porque nos veículos do sistema eletrônico diesel, revelam vários defeitos, mas na verdade no final do diagnóstico um só é verdadeiro.

Escrevi esta pequena introdução para passar ao amigo leitor os vários problemas que envolve sistemas pré lançados, sistemas que estão no inicio de reparos.

A seguir com o assunto em questão, escrevo os casos de defeitos que já passaram em nossa oficina, uns de fácil diagnósticos outros cabeludos. Diante dos fatos sempre procuramos  entregar o veiculo com os problemas resolvidos. Por mais cabeludos que seja! Nossa equipe já chegou a passar dias, semanas frente a várias caminhonetes, caminhões e até mesmo carros de passeio.

Luz de anomalia ascende e corta o funcionamento

Este foi o último caso que resolvemos depois de duas semanas!

Esta caminhonete veio para nossa oficina de outra cidade, o amigo mecânico fez o que tinha que fazer na sua oficina, mas sem sucesso, pois lhe faltara recurso. Tentamos instruí-lo por telefone mas também sem sucesso, pois apresentavam vários problemas. Foi impossível de serem diagnosticadas por telefone.

Pedimos então que trouxessem-na para nossa oficina para podermos juntos resolver os problemas que pareciam de inicio fácil. Mas infelizmente não foi bem assim.

Os Problemas apresentados no aparelho de diagnóstico do sistema eletrônico

O mecânico responsável pelos primeiros diagnósticos dizia que: a caminhonete a 130 km h, em intervalos de 10 a 15 quilômetros de distância acendia a luz da anomalia e cortava de uma vez, e após 5 a 10 minutos dava na partida o motor pegava normalmente. Mas o problema persistia nos mesmos trajetos.

Na nossa oficina ao abrir o capô deparamos com várias peças em desacordo com o formato original, ou seja, funcional.

O tubo Rail encontrava-se soldado com solda elétrica a saída do primeiro cano de bico, o sensor de temperatura estava com seus conectores quebrados, mas ligado no tipo (gambiarra), a mangueira do purificador rachada e sem o filtro de ar.

Ligamos o aparelho no sistema e em “defeitos presentes” nada constava, mas em “defeitos passados” existiam erros na válvula reguladora de pressão, sensor do rail e sensor de temperatura.

O primeiro pensamento do diagnóstico em relação aos defeitos apresentados e quase com certeza de ter encontrado os motivos, resolvemos trocar então o tubo rail, pois o mesmo estava soldado e este procedimento não é correto. Para certificarmos retiramos os sensores do rail e lá no interior do mesmo estava cheio de cavaco (sujeiras) da adaptação feita anteriormente.

Então, trocamos o tubo rail, sensor de temperatura, mangueira do purificador, colocamos o filtro de ar, apagamos todos os defeitos e fomos para a BR.

O defeito! Pois é, continuou e para nossa infelicidade piorou, porque cortava a menos de 100 kmh no intervalo de 5 km. E a partida no motor desta vez demorou além dos 15 minutos.

Voltamos para a oficina, ligamos o aparelho e os defeitos eram:  na válvula reguladora de pressão,  sensor de pressão do rail colocamos uma válvula reguladora de pressão de teste e não foi solucionado o problema em vez de ser solucionado agravou ainda mais.

Retiramos então a bomba de alta, os bicos e levamos para teste: a bomba de alta estava com problema na bombinha alimentadora, os bicos todos com retorno muito alto. Trocamos a bomba alimentadora, colocamos uma válvula reguladora de pressão colocamos na BR e desta vez andamos 35 km a 150 e 160 Kmh, na volta acendeu a luz de anomalia e cortou, demorou novamente para pegar. Voltamos ligamos o aparelho e foi constatado defeitos novamente na válvula reguladora de pressão, até aí tudo bem, pois faltou alimentação. Nos restava então trocar os bicos injetores, como tinha-mos 4 novos para teste, colocamos fomos novamente andar e desta vez nada de anomalia, problema resolvido. Eram os bicos injetores!

Pedimos os quatro bicos zerado, pois os nossos eram novos, mas eram para testes, além de já serem usados várias vezes.

Novas surpresas após a troca dos bicos injetores

Você pensa que o problema estava resolvido colocando os bicos novos, pois por incrível que pareça não! Com os bicos novos, novos problemas apareceram, ficamos totalmente perdido de inicio, de boca aberta com o desafio intrigante daquele veiculo, foi desanimador. Todo o sistema eletrônico testado, sem contar que a maioria das peças eram novas. O que poderia ser agora?

O cliente já necessitava da caminhonete, o mecânico que antes iniciou os serviços, preocupado e nós voltado a estaca zero. Os valores das peças antes substituídas computados lá no acessório e os problemas nada resolvido.

Pedimos então para o cliente mais dois dias para resolver de vez todos os defeitos de seu veiculo.

O desafio e o encontro finalmente do defeito

Estávamos diante de um desafio: consertar ou consertar, ficamos até tarde nestes dois dias, e graças a Deus a nossa capacidade de raciocínio e conhecimentos troca de ideias encontramos o defeito. Você nem imagina, mas o defeito da caminhonete era superaquecimento diagnosticado pelo aparelho de diagnósticos do nosso bombista. O superaquecimento não era gerado diretamente do sistema do motor propriamente dito, mas era o sistema do ar condicionado o causador do aquecimento. Logo veio na mente os eletros ventiladores do ar condicionado. “Na mosca”!

As duas ventoinhas que ficam na frente dos radiadores ora trabalhava uma, as vezes as duas e ora não trabalhava nenhuma e felizmente depois de tudo as duas resolveram não ligar e como o ar condicionado estava ligado, o sistema eletrônico detectava através do sensor de temperatura do motor, temperatura além de 95º graus o suficiente para a luz de anomalia acender e em seguida cortar o combustível para preservar o motor e todos os seus componentes. O nosso eletricista retirou os eletros ventiladores e os dois travados e parcialmente queimados.

A descoberta do defeito

Como que descobrimos este defeito? Andando com a caminhonete e com o aparelho ligado.

Conforme subia a temperatura o pico de pressão através da válvula reguladora de pressão ia aumentando até o sensor do Common Rail enviar sinal para a central cortar, pois a pressão era superior a 1600 bar.

Detalhe que depois julguei muito importante: Não desligamos o ar condicionado em nenhum dos nossos testes. Talvez uma falha muito importante para o diagnóstico, mas quem imaginaria panes através deste sistema na injeção?

Bem queridos leitores este é um dos casos intrigantes que já pegamos para resolver, mas tenho muitos outros para passar aqui, mas ficaria muito intenso somente neste artigo.

Nos próximos artigos vou colocando aqui as experiências e aprendizados que nossa equipe já passou e como foram resolvidos. Temos várias histórias de problemas cabeludos em vários veículos do sistema de injeção diesel: S10, L200, Nissan, Hilux, Ranger, etc. Caminhões com motores Cummins, MWM, Mercedes, Sprinter também no sistema Otto e assim vai.

Avaliação do artigo

O conteúdo deste artigo é passou experiências de uma equipe de mecânicos, eletricistas, bombistas, ascensoristas treinados e que sempre estão buscando aperfeiçoar cada vez mais. São através destas experiências que aprendemos a ser melhor a cada dia. Durante todo o processo em busca de solução, recorremos a vários meios de informações, trocamos ideias, baseamos em soluções anteriores, fizemos vários testes e eliminamos de início os possíveis defeitos visuais, aqueles que podem comprometer todo o sistema, quando já não estão comprometidos.

No caso acima, o sistema foi comprometido por iniciativas primarias por falta de conhecimentos e funcionamento deste sistema. Veja no artigo: Como resolver problemas da S10, onde comento em um paragrafo “Socorro na estrada” sobre esta falta de conhecimento do sistema eletrônico.

Como mencionado em artigos anteriores no paragrafo “Segurança do sistema”: “O sistema é como uma corrente elétrica, um curto circuito e todo o sistema está comprometido” Do mesmo artigo:


Conheça também os manuais técnicos:

MTCO - #Manual técnico de Corte de Óleo

MTRMF - #Manual técnico da Retifica Motor do Fusca


Gostou do artigo?

Deixe aqui o seus Comentários a sua Opinião, Compartilhe!

Siga me também no Twitter - Facebook - Linkedin - Google+

Ou então Assine a Newsletter de Mecânica Solique e receba as novidades do blog em seu E-mail.


Mais sobre: , , , , , , ,