Afinal os anéis trabalham girando ou não nas canaletas dos pistões?

Para muitos mecânicos não, para a minoria sim!

Sim! Giram nas canaletas dos pistões dentro dos cilindros do motor quando em trabalho, porque todas as partes móveis do motor trabalham, ou seja, giram ou vai e vem em cursos determinados.

Todos sabem que o pistão tem movimento vertical, quando o motor está em linha (a maioria), perpendicular como nos motores em “V” e na horizontal quando o motor trabalha deitado. Exemplo: Volvo N12 em ônibus ou Volkswagen a ar (fusca, Kombi).

Estes pistões trabalham em dois sentidos em um pequeno espaço dentro do cilindro denominado pelo nome de “curso do pistão”, eles são fixados no olho da biela através de um pino fixo ao centro do mesmo e num movimento de vai e vem hora no PMS (ponto morto superior) e outra no PMI (ponto morto inferior). Este processo é necessário para que gere energia e movimente os componentes moveis do motor.

Para que gere esta energia, existem no sistema do motor quatro fases, que são os tempos motores: Admissão, compressão, explosão e escape.

Vejam o artigo: Motores a quatro tempos

O pistão é o responsável direto por todos os movimentos destes tempos dentro do motor, é ele quem admite o ar/combustível (ciclo Otto) ou AR (ciclo Diesel), comprimi este ar ou ar/combustível, recebe a explosão (que é uma pancada violenta em sua cabeça), depois empurra expandindo todo o processo desta queima que foi gerado dentro do cilindro para a descarga (escape). Todos estes processos funcionam perfeitamente sincronizados e com vedações perfeitas.

Vedação da compressão, dissipação de calor e vedação do óleo do cárter

Estas funções são feitas pelos anéis de segmentos colocados nos pistões do motor.

Vejam o artigo: A Função dos Pistões no Motor

Como?

Os pistões são fabricados em liga de alumínio (alguns com materiais diferenciados), e na parte superior do pistão foram criadas canaletas e nelas é que são inseridos os anéis de segmentos.

Pois bem, Os anéis de segmentos que são três: compressão, raspador e de óleo. São usados na maioria dos motores ciclo diesel ou Otto atuais.

São fabricados em materiais de aço e tratado conforme a localidade que vão trabalhar no motor, por exemplo: o anel de compressão é fabricado em aço revestido de cromo e tem formas diferenciadas dos demais, pois é ele quem recebe a maior quantidade de calor no motor. Desenvolve também a função de vedação de toda a compressão do motor e também tem a função da quebra de carvão e como os demais dissipam a caloria do cilindro, para o liquido de arrefecimento do motor.

Veja o artigo: Tecnologia dos anéis de motores

Depois temos o segundo anel denominado por raspador: este anel tem a função de raspar parte do óleo que sobe junto com o pistão para a lubrificação do cilindro do motor.

O terceiro é o anel de óleo: este anel em muitos motores são montados em um conjunto de três anéis ou dois anéis e tem a função de vedar o óleo do cárter, para que não passe em excesso para a câmara de combustão do motor.

Nos que tem três anéis são na verdade duas laminas de aço flexível e uma mola de expansão com trilha onde trabalham os anéis flexíveis. Nos de dois anéis existem um anel inteiriço e uma mola de expansão trabalhando internamente no centro deste anel.

Todos estes anéis são rigorosamente testados e com medidas precisas a cada denominação da medida do pistão e cilindros. Todos vêm embalados separadamente e numerados para serem colocados em suas determinadas canaletas no pistão e identificação do TOP (posição que deverá ser montados no pistão para cima).

Como mencionado acima os anéis são responsáveis pela:

  • Compressão do motor;
  • Vedação desta compressão;
  • Vedação do óleo para a câmara de combustão;
  • Dissipador de calor.

Os anéis nos motores, ao contraria do que pensam trabalham em movimentos rotativos, ou seja:

Eles trabalham girando dentro do cilindro do motor e respectivamente em suas canaletas. Isto acontece devido ao fato do movimento do pistão exercer força centrifuga. Isto faz com que qualquer corpo livre em um determinado vai e vem tende-se a movimentar.

Entendam este processo

O pistão sobe comprimindo os anéis contra a parede do cilindro, onde existe um sistema de raios trançados a 120° Graus, conhecido como: Brunimentos.

Os anéis tende a rodar por causa deste brunimento e da força submetida a eles, como se fosse uma rosca sem fim!

Quando o mesmo desce, a carga é ainda maior, mas uma vez os anéis giram por causa da força que recebeu.

Muitos dizem que os anéis alinharam-se!

Porque que isto ocorre?

Na maioria dos casos são riscos de ângulo reto criados pelos próprios anéis dentro do cilindro, isto ocorre devido a alto índice de carbonização na cabeça do pistão. Como este carvão é um material muito duro e se ele soltar qualquer grão abrasivo, com certeza fará um risco reto e profundo dentro do cilindro. Neste caso as pontas dos anéis tende a enroscar neste ponto e parar o seu movimento, um por um irá parar neste ponto criando o alinhamento dos anéis e respectivamente o consumo de óleo.

Este fator ira aumentar e gerar um desgaste muito maior nos cilindros onde houver o alinhamento dos anéis, pois os mesmos trabalharam parados em suas canaletas, e em curto tempo irão travar-se nas canaletas do pistão.

Criará então: ovalização generalizada e buracos localizados nas partes superior e inferior do cilindro, pois, os pistões são ligeiramente excêntricos. Vários serão os fatores gerados por este problema de alinhamento e travamento dos anéis. São eles:

  • Consumo excessivo de óleo do motor;
  • Batidas dentro do motor (saia do pistão);
  • Engripamentos por fadiga dos anéis;
  • Rompimentos do filme de óleo nas paredes dos cilindros, gerando Superaquecimentos;
  • Espelhamento dos cilindros por haver muito carvão na cabeça do pistão;
  • Perca de potencia do motor, pois os anéis já não tem o mesmo desempenho por não estar trabalhado como deveria;
  • Aquecimento maior será gerado no motor;
  • Dificuldade na partida;
  • Consumo maior de combustível;
  • Contaminação do óleo do motor;
  • Perca de compressão;
  • Quebra das canaletas dos anéis;
  • Folgas excessivas nas buchas de bielas ou alojamentos dos pinos no pistão;
  • Carbonização e outros problemas relacionados.

Vejam o artigo: Carbonização - Vilã do Motor

Quando ocorre estes ou algum destes problemas, costumam trocar os anéis do motor.

Mas será que uma simples troca de anéis resolverá estes problemas?

Não resolve!

O que resolve mesmo é a retifica completa do motor, pois o mesmo sofre muitos desgastes.

Vejam o artigo: Retifica do motor, quais os passos?

Engana-se, que somente os cilindros é que estão desgastados que um brunimento artesanal e uma simples troca de anéis serão suficientes para resolver todos os problemas.

Os riscos, os buracos, as ovalizações, desgaste do diâmetro dos cilindros, dos pistões, buchas de bielas, bronzinamentos continuarão e o risco de não funcionar é alto, sem contar que há custos e tempo.

Faça os serviços como pede em um motor. Para que fazer serviços duvidosos, quando se pode fazer o correto!


Conheça também os manuais técnicos:

MTCO - Manual técnico de Corte de Óleo

MTRMF - Manual técnico da Retifica Motor do Fusca


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