Tecnicamente este fenômeno é conhecido como: mistura de óleo lubrificante no sistema de arrefecimento.

Toda vez que a junta do cabeçote de qualquer veiculo se queima, o mais comum é misturar água no óleo, e logo o mecânico saberá a causa dos problemas e deduzirá que a junta do mesmo queimou ou então ouve trinca interna no cabeçote, furou-se a camisa do motor e outros problemas de mesmas conjunturas.

Agora quando o problema é óleo na água, aí ficam muito mais complexos os diagnósticos.

Existem mecanismos ou situações difíceis de detectar de imediato. E testes são necessários.

Mas testar como, se nem sei por onde está passando este óleo?

Pergunta muito comum para a maioria dos mecânicos e proprietários de veículos.

Estes fatos desagradáveis acontecem muito em motores diesel, porque no mesmo são instalados intercambiadores de calor na galeria de óleo que tem função especifica de resfriar o óleo. Colocados em compartimentos apropriados, o intercambiador de calor (conhecido pelos mecânicos como radiador de óleo ou trocador de calor), é instalado na galeria principal de água, onde o mesmo permanece mergulhado no líquido de arrefecimento. Imaginaram agora a gravidade do problema?

Isto quer dizer que: qualquer vazamento de óleo do radiador ou pelas juntas do mesmo a mistura de óleo na água será inevitável.

Mas estes radiadores nem sempre são instalados desta maneira. Existem instalações onde são acopladas no próprio radiador de óleo, mangueiras de água ligada do motor ou do radiador de água que fazem o mesmo processo: resfriar o óleo. Estes sistema é usual nos motores Golf, AP 2.0, Peugeot, Maxion S4 e outros.

Estas mangueiras entram e saem do radiador e se este vier a furar, romper alguma colmeia mistura óleo na água do mesmo jeito.

Nos motores do sistema Otto, o intercambiador de calor é acoplado no suporte do filtro de óleo e junto o filtro de óleo. Primeiro é fixado no bloco o suporte do filtro na galeria de lubrificação principal do motor, depois o intercambiador e por ultimo o filtro de óleo.

Porque que está instalado nesta região?

Porque Primeiro o óleo é bombeado para o filtro de óleo, depois é refrigerado pelo radiador de óleo e levado para o restante do circuito de lubrificação do motor.

Neste sistema as únicas vedações entre a água do arrefecimento e o óleo lubrificante são feitas por anéis de borrachas, que tem uma eficiência na vedação.

Levando em consideração que neste intercambiador de calor circula a água do sistema de arrefecimento e, com temperaturas elevadas facilmente será corroído por não houver proteção. Neste caso o uso de aditivo é essencial. Na falta desta proteção em qualquer motor, gera se muitos problemas de mistura de óleo na água.

Outras possibilidades de passagem de óleo para a água:

Também devemos levar em considerações que nem sempre o radiador de óleo é o vilão, existem vários outros locais no motor com estas possibilidades de passagem de óleo para a água. Exemplos:

  • Juntas de vedação do próprio radiador de óleo;
  • Selos da galeria principal de óleo do motor;
  • Pela junta da carcaça do radiador de óleo;
  • Em alguns motores existem a possibilidade reais de passar óleo pelas borrachas de camisa;
  • Pela própria junta do cabeçote se a mesma vier a romper-se  (queimar),  muito próximo da passagem de óleo para os balanceiros, tuchos do motor, etc.

Enfim, passagem de óleo para água é muito complexo e exigem do mecânico muita técnica, determinação e experiência. Quando se tem o ponto exato do problema fica bem mais fácil, mas quando não, complica bastante.

Vou dar aqui uma dica verídica de passagem de óleo para a água que pegamos em nossa oficina:

Fiz um relatório e guardei junto com muitos outros problemas que já resolvi junto com minha equipe.

Resolvi então publicar neste artigo que tem tudo a ver com o assunto, além de servir de uma dica muito útil!

  • Dica: Passagem de óleo para a água;
  • Veiculo: Blazer 1.8 4 cilindros 8v Fabricante Gm
  • Combustível: gasolina;
  • Sistema: Otto

O proprietário nos comunicou através de um telefonema que a sua caminhonete havia misturado água no óleo, quando na verdade era ao contrario. Pois bem, arrastamos o veiculo até as dependências da oficina e começamos os diagnósticos.

De inicio examinando todas as possibilidades chegamos à conclusão que o defeito poderia ser no cabeçote, pois a temperatura estava além do normal. Não era para menos, levando em consideração que não havia água no sistema de arrefecimento e sim muito óleo.

Retiramos o mesmo e examinando minuciosamente e não conseguimos detectar no cabeçote e nem no bloco do motor gravidade ao ponto de passar óleo para a água.

Mesmo assim levamos o cabeçote na retifica que fica aqui mesmo na oficina, testamos e plainamos 0,10 mm (dez centésimos de milímetros) medida necessária para um plainamento uniforme da face do cabeçote. Concluindo finalmente que esta quantia muito pequena de empenamento do cabeçote não possibilitaria passagem de óleo para a água. Mas era o que tínhamos de diagnostico mais próximo o possível, mas não convincente.

Isto quer dizer que: estávamos novamente sem opção e sem saber a causa do problema realmente!

Então prosseguimos com o diagnóstico e retiramos a bomba d’água, pois desconfiamos do bujão da galeria principal de lubrificação do motor, surpresa! Este motor não tinha bujão.

O que fizemos então?

Lavamos todo o sistema de arrefecimento e montamos novamente o cabeçote e as demais peças, pois poderia ser aquele pequeno empenamento e ainda uma possível má vedação da junta do cabeçote que é de metal. Colocamos o veiculo na “BR” e tudo parecia normal, nada de óleo na água.

Checamos tudo e entregamos o veiculo para o cliente. Dois dias depois, ele estava de volta com o sistema de arrefecimento, abarrotado de óleo. Aquela mistura branca e gosmenta, para a nossa infelicidade e desespero.

E agora?

- Agora temos que descobrir de uma vez por todas, por onde que está passando este óleo.

Nesta hora a melhor coisa é esfriar a cabeça, raciocinar e buscar a técnica: sentar, conversar e analisar todas as possibilidades para prosseguir com os diagnósticos. O mecânico responsável pelo serviço nesta área já não tinha mais argumentos, mas é um camarada que não desiste e aceita opiniões mesmo que não concorde!

Analisando então as possibilidades chegamos à conclusão que a passagem de óleo para a água era através da galeria principal do óleo do motor. Não existia outro lugar.

Lembra que nós retiramos a bomba d’água, e não havia bujão de vedação na galeria?

Pois é, não existe bujão, mas existe uma parede muito fina finalizando a galeria de óleo. Ficamos impressionados com a "perfeição imperfeita"!

Descoberta do defeito

Sabem como descobrimos?

Testando o sistema de lubrificação.

Testes da galeria

Com uma pistola de ar e sem o cabeçote, inserimos thinner na galeria de óleo que lubrifica os componentes do cabeçote. Colocamos rapidamente ar comprimido e bem vedado para não vazar o ar. Assim, comprimimos todo o sistema de lubrificação. O thinner que havíamos colocado vazou por um buraco que tinha diâmetro mais ou menos de um alfinete na galeria principal de óleo, justamente dentro do alojamento da bomba de água.

Sabe quantos dias levamos para descobrir?

Quatro dias e um para montar novamente.

Solução

Furamos a galeria que mais parecia uma casca de "ovo", fizemos rosca e inserimos um bujão ficando igual os blocos antigos, que na minha opinião "não tinha nada que ter modificado isto", solucionando de uma vez por todas os problemas.


Conheça também os manuais técnicos:

MTCO - #Manual técnico de Corte de Óleo

MTRMF - #Manual técnico da Retifica Motor do Fusca


Gostou do artigo?

Deixe o seus Comentários a sua Opinião, Compartilhe!

Siga me também no Twitter - Facebook - Linkedin - Google+

Ou então Assine a Newsletter de Mecânica Solique e receba as novidades do blog em seu E-mail.


Mais sobre: , , , , ,