Palestra sobre injeção eletrônica

Assistindo a uma palestra sobre injeção eletrônica o Palestrante afirmou duas frases:

  • Que a injeção carburada é um sistema burro!

Ele explica: Este tipo de injeção é muito instável desregula com muita frequência (uma hora mistura pobre outra hora mistura rica), fazendo com que o motor fique com funcionamento desequilibrado e que não há alternativa de equilíbrio automático.

  • Já a injeção eletrônica é um sistema inteligente!

Explica de novo: Estes contratempos não ocorrem na injeção eletrônica, porque é um sistema é inteligente. Pois, o sistema é monitorado por um software que está instalado em uma memória com todos os dados a ser monitorado, recebendo o nome de ECU (Unidade de comando eletrônica). Sendo assim, quando ocorrer alterações na injeção o sistema busca alternativas e corrigem os defeitos de falta ou excesso de combustível e tudo está resolvido. Será mesmo?

Concordei em partes com as duas citações do palestrante, porque há controvérsias!

A primeira realmente é um sistema desequilibrado e também não se trata de um sistema propriamente de injeção e sim, de uma mistura que ao pisar no acelerador, abre se a borboleta e através dos difusores acontece a mistura ar/combustível que é aspirada para dentro dos cilindros através dos movimentos dos pistões. Sendo assim, não se trata de um sistema burro e sim mecanizado.

No sistema de injeção eletrônico realmente o sistema corrigi falhas de injeção, pois é um sistema informatizado e tem por obrigação atender aquilo que foram programados para funcionar exatamente como um sistema "inteligente", porém, como tudo não é perfeito e se tratando de máquinas, mesmo que eletrônica e, que seus criadores querem que sejam mais inteligentes que um ser Humano, podem por excesso de correções danificar por completo um motor!

Analisando os sistemas

Sistema carburado

No sistema de injeção carburado, todos estes processos reduzem-se em uma simples regulagem do carburador, é preciso ressaltar que neste sistema a presença da válvula termostática também é fundamental. Principalmente em motores a álcool, que tem em seu coletor de admissão, circulação de água quente para melhorar na queima do ar combustível aspirado pelo motor, contribuindo com isto, melhor desempenho do motor e economia de combustível.

Porque que é necessário regulagem constantes do  carburador?

Por causa do desgaste do motor (cilindros, anéis e pistões e cabeçote), estes desgastes fazem com que a compressão diminua com temperaturas de trabalho do motor.

Existem mecânicos que eliminam destes veículos a válvula termostática, por causa de aquecimentos excessivos do sistema ou porque acreditam que o carburador desregula e assemelha na temperatura do motor, dizem que: o motor esta dilatando de mais, virando os anéis, espelhando os cilindros! E por isso está faltando compressão!

Um erro absurdo pensar em fatos que não condizem com a realidade dos fatos.

Nada disto é real, o problema de carburação é por conta mesmo do desgaste do motor tanto frio como quente! O motor com o passar do tempo vai se desgastando, caindo a compressão e exigindo muito mais ar e combustível e isto faz com que, a regulagem anterior do carburador não mais é suficiente, então vários fatores acontecem:

  • Consumo de combustível
  • Marcha lenta alterada
  • Motor engasga, rateia
  • Perde potencia

E muitos outros acontecimentos.

Se permanecer sem uma nova calibragem do carburador, para atender estas demandas do motor, com certeza o motor vai fundir. Por excesso, falta ou por detonação.

Nota: Não se regula o carburador de um motor frio porque depois haverá alterações quando quente. O ideal é aquecer o motor até que ligue o ventilador do radiador, para depois regular o carburador. Além da regulagem do carburador faz se necessário a regulagem do ponto de ignição.

E o leitor o que acha?

E o sistema carburado é mesmo Burro

Quanto ao sistema ser burro ou não, afirmo que não!

Porque quando o motor do carro começa com qualquer problema, é fácil de deduzir que se trata do sistema de injeção ou ignição.

Já no sistema de injeção eletrônica, digo que é mesmo inteligente, mas prejudicial para a parte mecânica do motor, porque não é possível supor que o motor esta ruim ou não. Este sistema só nos mostra o problema quando já não tem mais jeito.

O motor tem que estar completamente dentro dos padrões de ajustagem, uma folga mínima, alterações na compressão dos cilindros e a central através de seus sensores e atuadores entendem que precisam enviar mais ar e combustível e isto para o motor que já não está em boas condições é o fim.

Este sistema logicamente perto do carburado é totalmente avançado, mas mecânicos sem formações, sem conhecimentos de injeção eletrônica não é capaz de identificar no motor com injeção de combustível eletrônica se o defeito do motor é mecânico ou eletrônico. Deve saber que: injeção eletrônica não é o motor por completo, mas sim trata-se do sistema de injeção de combustível.

O que a maioria dos mecânicos iniciantes tem que entender é que o sistema de injeção eletrônica tem os mesmos princípios de funcionamentos da injeção carburada.

Quer saber com detalhes como funciona um carburador?

Baixe a: Apostila de Carburador e fique por dentro do assunto!

Sistema de injeção eletrônica

Se formos analisar o carburador e uma ECU, claramente notamos que um sistema é ultrapassado e o outro super avançado, mas podemos notar em um motor carburado que o mesmo ao ponto que vai se desgastando, o sistema de carburação não consegue atender tais demandas, neste caso, um ajuste é o necessário para que volte tudo funcionar normalmente, ou seja, o mecânico adequou a carburação ao desgaste do motor com uma simples regulagem do ar e dosagem do combustível por exemplo, se o motor estiver com desgastes nos cilindros, pode perder taxa da compressão e isso faz com que o motor receba mistura pobre, ou seja, mais combustível e menos ar.

No sistema informatizado a central (ECU), do veiculo não é programada para informar defeitos mecânicos, desgastes do motor ou que o mesmo está perto de fundir, esse sistema simplesmente monitora a injeção do combustível conforme sinais recebidos dos sensores, se os sinais vem para ela corretos, ela imediatamente faz os atuadores trabalhar, porem impossível regular! Não tem como regular este sistema e sim, monitorar através de aparelhos eletrônicos, configurados e atualizados.

Descobrindo as causas começam então os diagnósticos e por fim o conserto da avaria!

O sistema eletrônico não é capaz de identificar se o sistema estiver sem a válvula termostática, claro que nem poderia, mas por continuar o raciocínio ele controla a admissão do ar e injeção do combustível e tudo que diz respeito ao sistema eletrônico. Usando nosso exemplo: Se o mecânico retirar a válvula termostática do sistema o sensor de temperatura vai emitir sinal para central muito tarde, porque a temperatura ideal vai demorar ou talvez nem ser alcançada e, isso, ira atrasar também o tempo de injeção, ignição, admissão do ar, enfim, o motor vai consumir uma barbaridade, ficar muito ruim!

A central sempre espera sinal para processar os seus dados para depois atuar, usando para isso, os atuadores. Se demorar muito receber este sinal a central vai entender que, o sensor de temperatura está com defeito e vai ignorá-lo, passando a operar em emergência através de outro sensor, até que sejam sanados os defeitos.

Trocando a peça resolve?

Isto poderá ser um engano e uma dor de cabeça, porque de nada vai adiantar trocar o sensor de temperatura, porque sem válvula termostática o sistema de arrefecimento não vai alcançar a temperatura ideal. A central não é capaz de identificar se o motor está com ou sem válvula termostática, cabe ao mecânico descobrir.

Estes são alguns dos processos da central entender e buscar soluções para defeitos no sistema eletrônico.

Nota: Nunca retire ou deixe um motor com injeção eletrônica sem a válvula termostática! Se tiver com problemas, descubra as causas e substitua por uma nova, essa peça é essencial para o sistema de arrefecimento, quanto para o sistema de injeção.

Na citação acima se insistir em deixar o motor do carro sem a válvula termostática, a central vai controlar o combustível através de outro sensor, mas vai trabalhar com dificuldades de aprendizado da dosagem correta do combustível e isto vai danificando o motor até que o mesmo funde seus cilindros e pistões por lavagem da película de óleo do cilindro ou por detonação, tanto sistema Otto como diesel.

Detonação

Este fenômeno "detonação" muitos pensam que são problemas nos eletros injetores (bicos), quando na verdade é a dosagem de ar e combustível inadequado.

Válvula termostática

É possível que o leitor pergunte:

A válvula termostática tem toda esta importância?

Sim! E ainda coloco esta outra pergunta:

O motor não é uma maquina térmica?

Sim! O motor é uma maquina térmica.

Então, sabendo que o motor é uma maquina térmica é através da temperatura que se pode ter um diagnostico preciso, quando se rastreia o sistema eletrônico do veiculo, por isso, da importância de somente rastrear o sistema de um carro, após a ventoinha ter ligado e desligado.

O motor do veiculo com temperaturas ainda baixa não é possível uma leitura precisa e a central ainda está em processamento de seus dados, isto levam segundos. Ao alcançar a temperatura de funcionamento ideal a central fica aguardando respostas do sensor de temperatura para concluir por completo a leitura de todo o sistema, pois ela já enviou para todos os atuadores sinais perfeitos de funcionamentos, e aguarda resposta através do sensor de temperatura ou em outros casos, do sensor de oxigênio (sonda lambda) que trabalham juntos neste processo da mistura ar/combustível, pois a sonda, determina para a central se a mistura está pobre ou rica, recebendo este sinal a central controla o tempo de injeção, ar, combustível e vai monitorando todo o sistema.

Nota: A sonda lambda é um sensor de oxigênio. A função deste sensor é emitir sinal para a central avisando se há mistura está rica o pobre. Imediatamente a central adianta ou atrasa o ponto de injeção e ignição e controla o sensor de ar absoluto.

Analisando a teoria do palestrante sobre o sistema inteligente

Lá com minhas analises teóricas fiz uma suposição e cheguei a uma conclusão:

Vamos supor um motor diesel eletrônico de 4 cilindros, onde há 4 bicos injetores monitorado eletronicamente através de uma bobina ou solenoide e, se este componente falhar por alguns minutos e no caso for aberto vai injetar sem parar, correto?

Mesmo assim, a central vai continuar ativando os outros bicos, mesmo tendo avisado lá no painel que há uma anomalia, pois tem este recurso, mas no caso o condutor só tem no painel uma luz advertindo que tem falhas no sistema e o motor também indica esta informação, pois o motor falha um dos cilindros e continua funcionando, mas de repente por alguns quilômetros o defeito é corrigido e tudo fica normal, porem no intervalo que ocorreu o problema, pode ter danificado o cilindro ou o pistão por lavagem do filme de óleo do cilindro.  Se isso acontecer, a temperatura começa a sofrer alterações, e enviar sinais errados para a central que não consegue controlar estes impasses e passa a trabalhar hora em emergência, hora normal e assim vai até que o cilindro afetado engripa de vez, pode queimar a junta do cabeçote ou outras avarias.

Estes acontecimentos pode ser de repente ou pode durar semanas. Mesmo que o condutor leve a uma oficina, talvez não será possível de imediato descobrir as causas, pois lá no sistema eletrônico vai ter defeitos de bico injetor, sensor de temperatura e outros, mas não de um cilindro engripado, pistão derretido, pistão furado, junta do cabeçote queimada...

Neste caso quem é que tem que descobrir as causas?

Claro que é o reparador mecânico.

Diante desta suposição e conclusão que tive, posso afirmar que não existem nenhum sistema inteligente o suficiente mais do que a inteligência de um ser humano, que para estes casos é o MECÂNICO. Ainda vou mais longe: Nunca existira máquinas capaz de trabalhar sem que haja mãos e inteligência humanas! Pode sim, reduzir muita mão de obra, mas nunca ser alto suficientes!

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